Conheça a História de Luiza Mironti e como surgiu o Restaurante Casa da Luiza

Sou Maria Luiza Mironti, tenho 57 anos. Sou descendente de italianos. Nasci em São Paulo, mas criei-me em São Roque onde, na roça vivi a minha infância em meio de hortas, produção de vinhos, linguiças e chouriços feitos pelos meus avós, massas, pão de peito, conservas, molhos de tomates engarrafados e pasteurizados. Sempre estive próxima dos fogões e fornos a lenha.

Estudei até o 2º Grau e com 22 anos casei-me, tive dois filhos e não tendo uma profissão, resolvi fazer magistério, pois era o que estava mais próximo e pratico. Minha situação financeira era muito difícil, levava algumas guloseimas para vender para os colegas e professores. Ainda morávamos no sitio. Chegávamos todas as tardes, eu e as crianças que eu pegava na escola e voltávamos com sacolas pesadas levando ingredientes para preparar os quitutes e vender na escola. Fazíamos à noite para o dia seguinte.

Recebi de meus avós, uma pequena herança que foi a alavanca para início do meu pequeno negócio. Comprei uma maquina de fazer massas de segunda-mão. Ela é minha companheira de trabalho até hoje. Custou-me na época (1989), 2000,00 cruzeiros muito bem empregados. Aos domingos, eu saia com o fusca de minha irmã, distribuindo minhas massas pelas casas mais bonitas da cidade e voltava com o bolso gordinho.

Para ser sincera, identificava-me mais com o  comércio, do que o próprio curso, gostava de chegar com as sacolas cheias e vender tudo! Sustentei assim, meu curso e meus filhos até me formar.

Formei-me em 1990, prestei concurso e ingressei na prefeitura de Mairinque, onde o salario era muito baixo e novamente meus quitutes sustentavam o orçamento da casa.

Dava aula durante a semana e nos finais de semana fazia meu comercio, que foi se firmando quando o prefeito da cidade cedeu um espaço onde aos domingos, sem pagar imposto algum, promovia uma feira onde podia se vender tudo o que você produzisse artesanato, horta, animais e minhas massas. Contava com a ajuda de meus pais e minha irmã para a educação de meus filhos, enquanto eu trabalhava.

Assim fui ficando mais conhecida na cidade, para onde mudei no ano de 1994, pagando aluguel para minha sogra, ficando mais próxima do trabalho na escola e ter um ponto de referencia para meus clientes. Coloquei telefone. O comercio em casa e a feira do domingo já tomavam todo meu tempo. Com segurança pedi demissão do emprego de professora. O divorcio foi inevitável.

Contratei minha primeira funcionaria, Lourdes, que me ajudava no preparo dos pratos. Minhas panelas já se tornavam pequenas, minha geladeira domestica já não dava conta. Então, por intermédio de uma pessoa influente na prefeitura fui apresentada ao “Banco do Povo”, onde financiei panelas e uma geladeira. Paguei em 18 meses, o juro bancário era quase zero.

No de 1996, surgiu então à oportunidade de arrendar um bar. Contratei minha segunda funcionaria, Vanderléia que também me ajudava no comercio e no preparo dos meus pratos. Não gostava do ambiente de bar e bebida e aconselhava os clientes para ir para casa e dividir seu salario com suas famílias, isso me incomodava. Entreguei o bar, mas continuava com a feira aos domingos.

Aluguei uma casa maior no ano de 1998, que tinha uma varanda grande no fundo do quintal, onde comecei a servir refeições para alguns vendedores da Coca-Cola, que me acompanharam do bar, e para algumas famílias (Comida de Pensão).

Para o armazenamento dos congelados, financiamos novamente pelo Banco do Povo uma geladeira, um freezer e mais alguns utensílios.

Um amigo de uma pizzaria da cidade, fez uma grande encomenda de minhas massas que sem “Procedência Legal”, despertou a atenção da fiscalização que me conduziu a abrir firma.

Era Agosto de 2000, e uma de minhas freguesas ofereceu uma casa com um ponto comercial nos fundos.  Com a ajuda do Banco do Povo fizemos o terceiro financiamento, reformamos esse pequeno espaço e inauguramos o Restaurante  Casa da Luiza. Nesse período contávamos com cinco funcionários e servíamos aproximadamente 100 refeições por dia.

Resolvemos desistir da feira, pois o trabalho do restaurante absorvia todo nosso tempo. Fazíamos jantares em domicilio e promovíamos eventos para grande numero de pessoas.

Em agosto de 2003, fomos convidados pelo Rotary Club de São Roque, onde durante as festas do Padroeiro, vendíamos Yakisoba e a porcentagem dos lucros era dividida. Trabalhamos para essa entidade durante cinco anos que nos trouxeram reconhecimento, experiência, muitas amizades e claro, lucro e progresso.

Então sentimos a necessidade de um espaço maior. Um de nossos clientes ofereceu um salão vizinho ao restaurante e a casa. Tudo estava fácil. Continuávamos com a cozinha no espaço antigo e reformaríamos o salão com capacidade para cem pessoas ao lado.

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Tomei coragem, procurei a Caixa Econômica Estadual onde o Banco do Povo já abrira meus caminhos e fiz um financiamento para a reforma. Não tivemos tanta dificuldade como o primeiro, pois nosso movimento no pequeno espaço sustentou a reforma do novo sem apertos e reinauguramos o Restaurante Casa da Luiza.

Hoje  atendemos em dias de pico até 800 pessoas/dia. Contamos com uma equipe de 18 funcionários, onde, a maioria são mulheres, companheiras fiéis que nos seguiram desde o início.  Pois quem faz parte dessa equipe tem que gostar do que faz, pois cozinhar é um dom, não precisa curso nem receita, só amor.

Nosso diferencial é um cardápio simples, comida caseira com muito alho cebola e cheiro verde. Receitas da terra que lembram nossa infância. Nosso ambiente é rustico com fogão de lenha, telhas a mostra, chão de cimento queimado, simplicidade e aconchego. Além disso, cercamos de atenção cada cliente com suas particularidades e preferencias, quando nos pedem para que na próxima visita preparemos este ou aquele prato, pois estão com vontade de comer.

Pretendo continuar crescendo, junto com meus dois filhos e minha equipe. A ideia agora é partir para a culinária natural, buscando conquistar uma nova clientela focada para uma alimentação saudável e saborosa.

Agradeço a Deus, por guiar meus caminhos, e mostrar que minha realização profissional esta em ser cozinheira. Sinto-me feliz ao ver meu espaço cheio de clientes amigos que se despedem dizendo até amanhã.

Em 2016 faremos 18 anos e penso que o trabalho feito por vocação dá prazer. O corpo pode ir até a exaustão, mas a mente continua criativa e feliz.